Archive for Janeiro, 2010

Intuitivamente analítico!

30 de Janeiro de 2010

Porquê a análise sem cor?

Há alturas em que a racionalidade técnica e analítica procuram fazer sombra sobre a criatividade e a inovação, quando estas precisam de sol.

Donald Schön diz que, há limites para a racionalidade técnica, num mundo onde a política está presente, e os efeitos sociais e  meio ambiente estão intimamente misturado com decisões técnicas.

Se não fosse a nossa capacidade de recorrer, a um repertório de metáforas e imagens que permitem diferentes formas de elaboração de uma situação, ficaríamos agarrados às interpretações frias dos resultados de análises de dados.

O uso de analogias e a visualização é claramente importante para a prática criativa e é uma percepção crucial. Nós podemos facilmente responder de forma inadequada em situações através do uso de um quadro mal adaptado.

As organizações que se dizem aprendentes esquecem muitas vezes a necessidade de um sistema interno de aprendizagem em que as interacções do sistema devem ser transformadoras.

Essas transformações são dirigidas ao potencial interno, fazendo com que a organização em si não fique dependente do que o mercado quer ensinar.

“A intuição é muitas vezes referida como um” sentimento “em vez de um pensamento consciente, porque muitas vezes não faz sentido lógico, para a mente racional, que opera de forma, causa e efeito. A intuição permite-nos tocar na informação circular, um sentido de o todo. Para a base das decisões em negócios, na mente racional só se limita a uma campanha de sensibilização. Permanece dependente de suposições educadas, em vez de bater, em infinitas possibilidades de exploração, que só a mente de intuição pode sondar. ” Marensia Lotter

O sistema interno de aprendizagem, de facto, na maior parte das organizações, limita-se a gerir o conhecimento gerado pela informação analítica, descuidando a necessidade de criatividade e de desafio ao impossível.

Nós somos muitas vezes confundidos pelos nossos próprios apegos aos resultados, pelos nossos medos e expectativas, e isso interfere com a nossa capacidade de discernir a intuição das divagações normais da nossa mente.

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Davenport e as analíticas!

30 de Janeiro de 2010

Já não se fala de equilíbrio!

Fiquei um pouco surpreso com a caixa luminosa, no tweeter, da HBR “Melhores decisões através da Analítica”.

Não que eu considere que, as ferramentas analíticas são fundamentais para a tomada de decisão nas organizações, mas recuso-me a comprar a ideia rude, de que as melhores decisões são tomadas sempre através da análise de dados.

  • Nós conhecemos a fama da estatística. Ela é boa para jogar com os números.
  • Nós sabemos a importância do contexto. O que é verdade no Japão pode não ser aplicável em Angola.
  • Nós sabemos o que custa ao analista a palavra “Validar”.
  • Também conhecemos a importância das emoções na tomada de decisão.
  • Conhecemos os resultados da manipulação de dados, há poucos anos, e assistimos agora, ao reconhecimento de novas regras para o jogo dos números.

Agora, como uma bomba, salta este realce:

“Agora, em “Analítica no Trabalho”, Davenport, Harris, e co-autor Robert Morison revelam como qualquer gestor pode efectivamente implantar a analítica nas operações do dia-a-dia? Uma decisão de negócios ao um tempo.

Eles mostram quantos tipos de ferramentas analíticas, desde a análise estatística até às medidas qualitativas, tal como a codificação do comportamento sistemático, podem melhorar as decisões acerca de tudo, desde novos produtos que podem oferecer e que interessam aos clientes, e se o capital investido em marketing está a ter o máximo de eficácia.

Com base em todas as pesquisas novas, e ilustradas com exemplos de empresas, incluindo Humana, Best Buy, Progressive Insurance e Hotels.com, essa implementação focada descreve os cinco passos para a implantação do modelo DELTA para ter sucesso com as iniciativas em analítica.

 Aprenderá a:

– Usar dados de forma mais eficaz e colher valiosas interiorizações analíticas;

– Gerir e coordenar os processos, pessoas e tecnologia ao nível da empresa.

– Compreender e apoiar o que os líderes analíticos fazem.

– Avaliar e escolher alvos realistas para a actividade analítica.

– Recrutar, contratar e gerir analistas.

– Combinar a ciência da análise quantitativa com a arte do raciocínio sadio.” –

HBS Press Book – Resultados do Google Analytics no Trabalho: decisões mais inteligentes, Better – Thomas H. Davenport, Jeanne G. Harris, Robert Morison

Eu sei que é preciso ler o livro em referência e reconheço a autoridade e respeito devido pelos autores, mas este título sugere-me uma atitude contra a inovação.

Reclama-se segurança na tomada de decisão, o que sempre foi verdade, aconselha-se a não seguir a intuição o que é de mau tom!

Estou esperançoso de que após a leitura do livro, apagarei os meus receios.

Grandes doses de análise, necessitam de grandes analistas que eventualmente usam treinadores e que obrigam os gestores das organizações a contratar um facilitador para perceber a análise que foi feita.

Feita uma análise à minha vida, eu concluo que, ela é repleta de emoções e alegria e que, continuo convencido de que a inovação é a grande vantagem competitiva das empresas.

O Senhor T – Pensar design

29 de Janeiro de 2010

Competências de um pensador design

“Para operar dentro de um ambiente interdisciplinar, o indivíduo precisa de reunir forças em duas dimensões:

A “pessoa em forma de T”.

No eixo vertical, cada membro da equipa deve possuir uma profundidade de competências, que permitam, que ele ou ela, dêem contribuições concretas para o resultado.

A parte superior do “T” é onde o pensador design é feito. Trata-se de empatia com as pessoas e com as disciplinas, para além de ele próprio.

Isso tende a ser expresso como a abertura, a curiosidade, o optimismo, uma tendência para o aprender fazendo, e da experimentação.” http://www.ssireview.org/

 

A competência criatividade, é um conjunto de ferramentas e métodos para entender a incerteza, propor novas opções e rapidamente fazer as escolhas acertadas.

Alguns pensadores dizem (Sergei Dovgodko), que nas organizações é tarde de mais para aprender e desenvolver a criatividade. Eu não penso assim. A criatividade não escolhe, nem hora nem idade!

Estando apetrechado com, capacidade de integração, de projecção e de exploração, juntamente com habilidade no pensamento crítico, é possível começar a desenhar o perfil do pensador design. O grande T!

O Senhor T é um abdutor por natureza. Ele é capaz de visualizar o que poderia ser algo, num futuro desejado, e construir um caminho para a sua realização.

O Senhor T procura novas possibilidades emergentes e como oportunista que é, agarra-as.

O Senhor T usa um pensamento dialéctico, e vê os conflitos como desafios. Reconhece as limitações de hoje e as incertezas do futuro, e visualiza as possibilidades.

Segundo De Bono, em “Novo Pensamento do Milénio” Design é muito mais do que síntese clássica, onde, tese e antítese, se combinam.

Acima de tudo trata-se de pensar. É preciso aprender a pensar. Já não importa o que é, mas o que poderá ser! Precisamos de mais pensar.

Desenvolver pensamento com base nas percepções, principalmente visuais, e aplicar mais tecnologia para produzir valor.

O pensar design pode tornar-se na ferramenta privilegiada dos profissionais de saúde, por exemplo. O texto abaixo, mostra a necessidade.

É preciso pensar design.  

“Trabalhando juntos como uma equipa, os profissionais devem equilibrar as responsabilidades, valores, conhecimentos, habilidades e até mesmo, as metas de assistência ao paciente, contra o seu papel como um membro da equipa na decisão compartilhada. Porque muitos médicos, em particular, estão acostumados a um ambiente de prática, na qual as decisões são “feitas” pelo médico, e “realizadas” por outros profissionais, é difícil, por vezes, que os médicos se ajustem a uma abordagem de equipa, em que a opinião da maioria , prevalece sobre a opinião de especialistas, a unanimidade ou consenso pode ser mais adequado do que, o processo de decisão  autocrático. Além disso, os médicos que mantêm um conceito hierárquico de atendimento médico, poderão enfrentar sérios problemas, quando surgem desentendimentos com outros médicos de “igual” estatuto na equipe médica. Os conflitos interdisciplinares são vistos em todas as áreas da medicina, mas o ambiente da sala de operações, é particularmente rico em exemplos, em que o cuidado do paciente envolve a cooperação interdisciplinar, o conflito e o compromisso.” – ETICA EM MEDICINA –University of Washington School of Medicine

“…Concordo com a natureza essencial de satisfazer necessidades, mas eu poderia expandir a ideia de assumir a responsabilidade para além de funcionários, para incluir a comunidade em que o negócio é praticado, o que para as maiores empresas  inclui a maior parte do planeta”. Design Thinking – pensamentos por Tim Brown 

Porque o pensar design, às vezes, falha!

28 de Janeiro de 2010

Pensar design e o segredo de uma boa história

As histórias ajudam-nos, a compreender a complexidade das coisas e podem melhorar ou mudar percepções, tornando-as simples.

As histórias envolvem sentimentos. Contar histórias permite ver sob uma luz diferente e, consequentemente, tomar decisões num ambiente também diferente, onde o racional e, o emocional se envolvem.

Nos negócios, valor e significado são transmitidos com uma intensidade capaz de alterar o comportamento dos consumidores. O que se promete, tem aceitação tácita, se a história é bem contada, isto é, se clarifica as dúvidas e satisfaz as expectativas. Uma história envolve o consumidor no seu ambiente de conforto e ilumina as suas realizações futuras.

Muitas vezes, o pensar design, falha no compromisso entre a criação ou criador e o público a quem se destina essa criação.

A utilização de uma linguagem não acessível ao consumidor impede o fluxo de uma boa história. A história do produto ou do que lhe deu origem ou ainda do seu percurso, não pode ser contada através do discurso restrito dos pensadores design. A história é do público, não de uma tertúlia fechada.

O contador de histórias, apenas poderá ser um personagem e, não o tema central da história, porque são as pessoas que importam.

As histórias reflectem os interesses em conflito e a reconciliação, quer dos estados do pensador design quer da equipa onde está a colaborar. A interdisciplinaridade traz conflitos saudáveis, mas são cognitivos. As emoções dão cor, não provocam destruição porque há partilha nas equipas de pensar design.

Contar histórias, alberga alguns desafios e exige uma boa aprendizagem, mas os resultados são surpreendentes.

Robin Williams, em The Non-Designer’s Design Book, apresenta quatro princípios fundamentais do design gráfico que cada profissional deve entender. Os quatro são contraste, repetição, alinhamento e proximidade (ou CRAP).

O bom design é simples:

– Aprender os princípios,

– Reconhecer, quando não os estamos a usar. Dar nome ao problema.

– Aplicar os princípios.

Os princípios são interconectados e raramente aparece um isolado.

Contraste. – O contraste é muitas vezes a mais importante atracção.

Repetição. – Os elementos visuais, devem ser repetidos ao longo da peça. Desenvolvem a organização e reforçam a unidade.

Alinhamento. – Nada deve ser colocado arbitrariamente. Isto cria uma imagem clara, fresca e sofisticada.

Proximidade. – Os elementos que se inter-relacionam devem ser colocados juntos. Isto, ajuda organizar a informação.

Estes princípios são normalmente aconselhados para design gráfico, mas uma boa exploração não faz mal.

É um bom desafio, pensar e contar uma história, seguindo estes princípios.

As histórias, também funcionam bem como uma forma de promover um trabalho de colaboração e compreensão dentro da equipa de design.

Intuição e Sabedoria

28 de Janeiro de 2010

Um equilíbrio desejado

Os cientistas veteranos, os gestores experientes ou ainda os sábios que frequentaram as escolas informais podem partir a sua sabedoria, em pedaços passíveis de gestão, e ensinar competências específicas com a sabedoria associada, às gerações mais novas ou que lhes sucedem.

As pessoas têm estilos de aprendizagem individuais, e seleccionam a informação de acordo com as suas preferências ou disponibilidades receptoras. Foi assim que a sabedoria se foi construindo e é assim que ela poderá ser transmitida.

Há no entanto, um resultado que se confunde ou assemelha à sabedoria, a intuição.

A definição padrão da intuição é “conhecimento adquirido de alguma coisa sem o uso do raciocínio ou dos cinco sentidos básicos”. Encontramos ao longo do tempo, muitas decisões que fizeram sucesso com base em palpites, percepções, visões ou sentimentos.

Que tipo de sabedoria é esta? Será que eu sou intuitivo ou apenas funciona o princípio do prazer?

Há termos similares como o sexto sentido, o discernimento ou o instinto. Quanto ao primeiro, gosto mais de o considerar na perspectiva tecnológica e imaginar a utilização de sensores extra nos dedos para não ter que teclar. Enquanto o instinto, é uma abordagem mais “animalesca”, o discernimento poderá ser a razão embebida em doses concentradas de atenção.

Por outro lado a intuição não é um processo consciente, bem como não é um procedimento por fases ou etapas que encontra bases de sustentação em lógica dedutiva ou indutiva. Verdadeiramente não é analítico.

A intuição resulta, pode portanto ser aprendida e treinada, de uma atitude constante de abertura à informação da capacidade de transformar essa informação em conhecimento. Manter uma postura de abertura, curiosidade e exercício face à informação, provoca a aplicação, pertinente e atempada, do nosso conhecimento, num processo de tomada de decisão.

A intuição deve ser levada com equilíbrio como se pode ver neste apontamento:

“A fim de conseguir uma interiorização da transferência de informações que ocorre entre os turnos de altos funcionários num departamento de emergência, observaram-se as passagens, entrevistaram-se médicos e distribuíram-se questionários. Descobrimos que, apenas considerando a transferência de “dados concretos”, como a taxa de pacientes cardíaca, pressão arterial, etc, pode ser insuficiente: a transferência de “dados subtis”, como a ambiguidade da intuição, também é um aspecto central neste tipo do ambiente de trabalho e vital para cobertura cruzada de sucesso. Nós descrevemos conceitos de design que apontam para a captura, visualização e transferência de intuição para o processo de passagem. Abordar a questão do apoio da intuição pode ser um desafio, mas também uma oportunidade gratificante para pesquisas de interacção humana/computador no apoio às passagens de cuidados de saúde.” Proceedings of the 18th Australia conference on Computer-Human Interaction: Design: Activities, Artefacts and Environments

Ser sábio é, o ser capaz de aplicar o conhecimento e alavancar o equilíbrio entre o consciente e o inconsciente.

É melhor que contes!

26 de Janeiro de 2010

Saber contar uma história, é meio caminho para vender uma ideia.

Antonio Nunez diz-nos como os relatos são ferramentas úteis de comunicação.

Pensar design precisa de saber contar, como chegou até ali e onde  quer chegar.

Eu tive o prazer de ouvir e ler “Será mejor que lo cuentes!” – Antonio Nunez!

Falar com ele foi abrir um caminho novo!

Três passos:Visualização, Intuição e Inovação

25 de Janeiro de 2010

Visualização, emoções e especulação

“Os designers são peritos no uso do poder de observação. A observação tem o poder de inspirar e informar. Na minha experiência a melhor fonte de especialização em observação orientada para a inovação é a comunidade design.” – Tom Kelly -Ideo

O uso de estímulos visuais ajudam os designers a produzir mais e melhores resultados. È a sua capacidade de observação que se traduz em inspiração.

Esses resultados são frequentemente atribuídos à intuição dos designers. Intuitivamente sabemos, ou acreditamos que, há uma conexão significativa entre intuição e inovação. A criatividade nunca é vista sem ser acompanhada pela intuição.

E como é que pensar design transporta esta bagagem?

Hogarth, identifica competências e práticas demonstradas por pessoas intuitivamente talentosas:

     A sua capacidade de visualização.

     A sua capacidade de reconhecer emoções e aprender com elas.

     A sua vontade de especular e considerar as alternativas.

   Os seus hábitos de testes de percepção, emoções e especulações.

A psicologia estudou, exaustivamente, as maneiras pelas quais as pessoas organizam e escolhem entre a vasta gama de estímulos que lhes são apresentados, principalmente ao nível do estímulo visual.

A percepção é influenciada por uma variedade de factores, incluindo a intensidade e dimensões físicas do estímulo.

As actividades dos órgãos dos sentidos, são resultado de efeitos da estimulação anterior, ou a experiência passada do sujeito, bem como de factores de atenção, motivação e estados emocionais de um indivíduo.

Os estímulos influenciam a organização visual percebida de acordo com a sua proximidade uns com os outros, sua semelhança, a tendência para o sujeito em perceber números completos, bem como a capacidade do sujeito para distinguir figuras importantes de um plano.

Por vezes, os estímulos não surgem isolados no meio, existe uma tendência para interpretar um objecto da mesma maneira, independentemente de variações, tais como distância, ângulo de visão, ou o brilho. Nestas alturas importa sair fora da caixa para visualizar o lado de fora, ou por detrás, dos objectos no meio ambiente em que nos encontramos.

Para melhorar a nossa capacidade de resposta, para a resolução de um problema, e face a um número elevado de estímulos, temos de nos concentrar num número limitado, e ignorar aqueles que são considerados menos importantes.

Estudos recentes têm demonstrado que os estímulos são realmente percebidos no cérebro, enquanto os órgãos sensoriais apenas recolhem os sinais.

Um limite absoluto, é a intensidade mínima física de um estímulo, que normalmente um sujeito pode perceber, ao passo que um limiar de diferença é a quantidade mínima de mudança de um estímulo, que pode ser conscientemente detectada pelo assunto

Nos limiares da percepção, está o caminho da inovação.

Sensação ou percepção?

25 de Janeiro de 2010

Como eu gosto, de coisas simples!

A grande diferença entre as pessoas e as não pessoas é que, as primeiras sabem fazer distinções entre coisas simples e complexas. As outras não fazem distinções, para elas sensação e percepção são iguais ou semelhantes.

Embora intimamente relacionados, sensação e percepção desempenham duas funções complementares, mas diferentes na forma como interpretamos o nosso mundo.

A sensação refere-se ao processo de sentir o nosso meio ambiente através do tacto, paladar, visão, audição e olfacto. Essa informação é enviada para os nossos cérebros, onde entra em jogo. Percepção é a nossa forma de interpretar essas sensações e, portanto, dar sentido a tudo que nos cerca.

Por exemplo, o sentimento de posse, que temos do nosso corpo, depende da correlação espacial e temporal entre os estímulos sensoriais, visual, táctil, etc., que surgem do nosso corpo. Esta correlação leva à formação da “imagem corporal”, uma representação interna do nosso corpo.

A percepção é o processo, constante, onde a mente humana organiza a imensa quantidade de material recebido, regista e encaminha à cognição. O objectivo é seleccionar as sensações que têm importância ou de interesse para a pessoa, e isto acontece de forma contínua e muitas vezes inconsciente.

Na fase inicial da percepção, parece ser formação de padrões ou contornos que domina. É um passo importante, para reduzir a quantidade de detalhes supérfluos nas sensações, e encontrar padrões familiares e compreensíveis.

Nesta altura seleccionamos os padrões que precisam de uma reacção ou necessitam de atenção consciente.

Com um pouco de reflexão da nossa parte, verificamos que muitas vezes, “temos a sensação de já…” , e facilmente associamos a um padrão (modelo ou referencial) conhecido.

O todo é sempre diferente da soma das partes.       

Os padrões de formação na mente humana, segundo a abordagem da teoria da forma (Gestalt) parecem obedecer a algumas regularidades:

Proximidade. Pequenas formas e objectos que estão próximos uns dos outros tendem a agrupar-se juntos.

Similaridade. Objectos que são semelhantes serão relacionados entre si e, facilmente serão vistos, como uma unidade.

Encerramento, ou a totalidade. Os objectos que são agrupados juntos, são vistos como um todo.

Simplicidade. A realidade é organizada ou reduzida à forma mais simples possível.

Podemos chamar, “beleza” aquela sensação de prazer que resulta, do esforço para perceber e o sucesso, em encontrar uma estrutura de fundo, inicialmente escondido na obra de arte.

Estímulos: da criatividade à inovação

24 de Janeiro de 2010

Estimulação visual e inovação 

O processo de design é baseado sobretudo em operações cognitivas de resolução de problemas, tais como associação de ideias, isto é combinações, mutações e analogias. (Rosenman/Gero)

O raciocínio analógico consiste em dois passos chave: A busca ou selecção, durante a qual os designers procuram inspiração e mapeamento ou aplicação.

Leclercq mostrou que o uso de estímulos visuais ajudam os designers a produzir mais resultados. Há ainda outras operações cognitivas envolvidas no processo design que ainda não estão suficientemente investigadas, tais como a atenção visual e a percepção da cor.

Se parece claro que as analogias são um instrumento para a resolução de problemas e que elas muitas vezes são produzidas por estímulos visuais exteriores ao pensador design, não é tão claro assim em que situações, é que elas apresentam melhores resultados.

“A pesquisa em psicologia cognitiva e no pensamento de design tem mostrado que, a geração de representações internas em imagens e representações externas através de esboços, são instrumentais em resolução de problemas. … Um estudo empírico revelou que, a presença de estímulos visuais, de diferentes tipos podem afectar o desempenho, medido em termos de praticabilidade, originalidade e criatividade, resultados alcançados por projectos desenvolvidos por indivíduos em diferentes condições. Os resultados sugerem que o efeito dos estímulos depende do tipo de problema de projecto que está sendo resolvido.”

Referências e leituras adicionais podem estar disponíveis para este artigo. Para ver as referências e leituras adicionais você deve adquirir neste artigo.- Gabriela Goldschmidte, Maria Smolkov

Designers normalmente trabalham com desenhos, especialmente sob a forma de desenho, e com objectos artesanais rudimentares ou modelos. Alguns estudos sugerem que a estimulação visual apresenta melhores resultados que a estimulação objectual.

 

Sabemos que a criatividade é a correlação e reconstrução das experiências que temos em nossa mente, e procuramos saber que, tipos de estímulos visuais influenciam, a qualidade de uma solução design.

Considerando dois tipos de estímulos visuais, uns aleatórios (imagens diárias) outros apresentados de forma semelhante a uma solução, verificamos (Brian Po-Yen Lee) que os estímulos visuais estimulam as formas do produto, enquanto os estímulos solução estimulam aspectos funcionais do projecto.

Podemos ainda constatar, através de estudos empíricos desenvolvidos por entrevista de pessoas criativas na literatura, artes visuais e ciência, que existe uma operação cognitiva criativa, específica, envolvendo imagens mentais complexas.

Muitas vezes temos dificuldade de, comunicar visualmente, porque o que nós criamos, não é o que nós ou os outros realmente vêem. Nós criamos o que nós recordamos e lembramos aquilo a que prestamos atenção, não o que nós vemos.

A pensar em mim e nos outros!

24 de Janeiro de 2010

De que é feito o meu conhecimento?

Quando apreendo alguma coisa nova, em que é que eu penso?

Eu diferencio, o bom do mau, o feio do bonito, e sempre que me surgem ideias novas sobre um assunto, tal acontece, porque eu percepcionei coisas distintas.

Normalmente essas idéias são importantes para mim e tenho tendência a partilhá-las com o mundo que me rodeia. As pessoas sabem quem eu sou, conhecem as características que me estão associadas e darão ou não crédito à minha transferência de conhecimento.

Cabe-me decidir para onde transportar “as minhas novas ideias”. Esse lugar será onde supostamente elas terão mais implicações, mais impacto, ou poderão provocar maiores alterações. Pelo menos assim é esperado.

Mas ficam incertezas sobre os efeitos dessas transferências de conhecimento. Será que eu vou provocar o efeito desejado? Como é que eu posso avaliar os resultados das minhas novas ideias, das minhas diferentes percepções.

Certamente que há muita gente, neste momento, a observar e a pensar sobre o mesmo assunto. A que resultados terão chegado? O que terá contribuído para que, face aos mesmos objectos, tenham percepções diferentes?

O meu conhecimento só é útil se houver alguém interessado em ver, ouvir ou de alguma forma experimentar aquilo que tenho para transmitir. Mas quem? Devo restringir-me grupo de amigos ou clamar por novas audiências? Quem mais precisa das minhas distinções?

Todo o conhecimento que eu pretendo transferir, tem para mim um significado muito singular. Eu devo perguntar-me a quem me devo dirigir, aqueles que precisam do meu saber, mas também devo questionar: quem são eles?

Quem me lê, quem me ouve, quem me olha?

Em que mundo e com que valores o meu conhecimento é jogado?

Quando me dirijo a essa pessoa grupo ou plateia, num qualquer tipo de comunicação, é o ambiente que toma conta das palavras e dos gestos. È ele que faz com que as emoções dancem ou descansem.

É nesses ambientes e com essas pessoas ou estruturas de pessoas que eu vou analisar, o impacto das minhas novas ideias, as reacções de curiosidade ou de desinteresse. É nesses confrontos que eu vou avaliar a verdade da minha criatividade ou o poder da minha reflexão, e até que ponto existe uma linguagem alinhada com os interesses comuns.

Agora que respondi, a todas as minhas interrogações, vou defender com integridade e energia renovada, os meus pontos de vista, a minha percepção das “coisas”, as novas ideias.  

A observação e a reflexão são actividades que conduzem a processos criativos, susceptíveis de criação de valor, a inovação.