Archive for Fevereiro, 2009

Quantas palavras em silêncio?

7 de Fevereiro de 2009

 

 

E aquele senhor?

E aquele senhor?

Quantas palavras terei eu pronunciado em silêncio quando aquele senhor deixou de me ouvir?

É engraçado como uma realidade, como a referida, ausência fisíca de um interlocutor, é tão semelhante com a realidade de ausência mental de alguns interlocutores!

Acaba por ser, esta última, divertida, quando dela temos consciência.

É um pouco “estou a falar para ti, e, tu…, nada!!”

“A mim nunca me aconteceu. Não porque eu não me disatraia. Porque quando me distraio é mesmo para me divertir! Sempre tenho ouvidos para as pessoas! E digo-te mais, até os ruidos eu sinto!”

Não sei quem proferiu tantas palavras sem sentido, ou algo parecido, mas que se ouvem com frequência, é verdade.

Eu sabia que, “o saber ouvir” era coisa só de alguns. Até me diziam que era preciso treinar muito, como fazem os campeões.

De facto julgo que saber ouvir, não é uma competência, talento ou habilidade inata.

Antes de mais passa pela necessidade de existir uma vontade. Vontade e consciência da utilidade e de respeito pelo interlocutor. Depois de facto, podemos treinar a atenção,isto é,  se não tivermos preguiça.

Não perdendo de vista ou de ouvido o nosso interlocutor e, usando a nossa assertividade quando, a conversa não nos interessa, para dizer – “esse asunto não!”. Uma palavra que me é dirigida carece de retorno como “aquele Bom dia!” quer um “olá!”.

Doutra forma estamos a cultivar o menosprezo e a indiferença e tal como a água e um pão também a palavra não se nega.

São felizes as pessoas que contactam com “benditos pachurrentos”, “aqueles” que ouvem, até mais do que uma vez, a mesma coisa.

Treina-se o ouvido, reagindo com racionalidade aos ruídos que constantemente nos atropelam. Ninguém gosta de sofrer, a não ser, talvez, os masoquistas!!

Será que o “talvez”, aqui, tem outro sentido?

Se eu sei que vou ficar irritado, tenho duas opções ou, fico mesmo,ou reformulo o estímulo e reduzo-o a uma nota musical.

Para quem tem uma experiência de vida desenvolvida, muitas vezes compões verdadeiras sinfonias.

Tantas vezes eu não respondo à chamada, centrado em pensamentos que

Até as flores chamam por mim!

O silêncio é uma arte, e até um negócio. Como numa orquestra é preciso saber as pausas a efectuar num andamento, ou quando pretendo ser convicto e se recebem objecções, é nos silêncios que está a  imagem de marca.

Assim como quem quer, passar por ponderado e “sábio”, vai imprimindo intensidade no discurso, repentinamente recortado pelo olhar no vazio, qual procura mais profunda da sabedoria , qual evocação da musa, silêncio cortado e retoma conversa.

Este não é o silencio da arrogância, nem tão pouco o da ignorância, é o silêncio da compreensão, da espera e  da aceitação.

Há ainda o silêncio falado, com os meus botôes, resultante de convivências prolongadas, quase sempre traduzido por:

Outra vez!?…Eu…

– Que estás a pensar?

– …

Hã!? …Sim, estou a ouvir! 

Todos eles muito coloridos.

Há silêncio temporário e silêncio duradouro, mas, o melhor de todos é o eternamente grato. 

Schiuuuu!!!!silencio

Anúncios

Quando arrefece…

4 de Fevereiro de 2009

A influência dos acontecimentos na nossa forma de pensar! 

 

 ber-019

 

As reacções, “a quente”, que inúmeras vezes experimentamos e, tantas vezes criticamos aos nossos interlocutores são fruto de acontecimentos recentes também eles “quentes”.

Todos reconhecemos que, expressões como, “tem calma”, “não respondas já!”, etc. são utilizadas quando nos apercebemos que pode existir precipitação na resposta que é necessário dar, a determinado acontecimento.

 

Quando arrefece o nosso “temperamento” versus “feitio”, reflectimos.Quantas vezes consideramos que a prudência foi mão abençoada? Outras hão, em que nos arrependemos de não ter agido de imediato!

 

Algo de semelhante acontece quando, a propósito de uma pequena tomada de decisão, nos deparamos com conflitos de interesse e prolongamos a resposta por várias horas ou a adiamos indefinidamente.

 

Tomar decisões não é fácil!

È a velha guerra entre o prazer e a realidade, sendo que cada parte procura aliados (justificações) para a vencer.

 

Se fizermos um pequeno esforço a pensar sobre o porquê desta dança interna de opiniões, chegamos à conclusão que as nossas experiências vividas são em grande parte responsáveis pelo resultado.

Não fora a razão e a procura de equilíbrio, naquele tão maravilhoso mundo de valores e cultura, e apenas tomaríamos decisões baseadas nas experiências gratificantes que vivemos.

 

Por outro lado as experiências negativas que eventualmente suportamos, criaram mecanismos de auto-defesa que, com mais ou menos rapidez, são despoletados.

 

E assim se vai construindo um mundo novo dentro de nós.

 

Havia um senhor, isto a propósito de boas e más experiências, que quando eu me questionava sobre o dar algo a alguém, me dizia: “Não lhe dês o peixe, ensina-o a pescar”. Penso que se trata de um provérbio chinês.

 

Esta foi uma boa experiência que vivi e ainda vivo.

 

Não por estar cansado de me ensinar, esse senhor deixou de o fazer e, transformou a minha alegria em saudade.

Fez-me organizar as aprendizagens e reflectir sobre o tempo, fez-me viver ao lado dele sem a sua presença, fez-me transformar más experiências em boas soluções.

 

Eu achei que sabia, naquela altura, quase tudo, mas ainda não tinha apreciado a escala de avaliação da verdade.

 

A verdade vai da mentira até si própria.Passando pelo verdadeiramente aparente e pela inverdade (politicamente correcta), ou pelo falso e pelo escondido ou dissimulado.

Como dizia Anais Nin :

 

 

 

 

“Não vemos as coisas como elas são. Vemos as coisas como somos”. 

 

Olhei no espelho e lembrei-me:

Espelho mágico. 

 

Vais perdoar-me! 

 

Mas gosto de ti!

 

E esta angústia…!

 

O que faço agora?

 

A uma hora

 

De estar contigo!