Intuição e Risco

 

 

Análise e emoções

de um trabalho intitulado:

 

Intuition and affect in risk perception and decision making

(Gisela Bohm e Wibecke Brun- Universidade de Bergen- Jan 2008)

 

 

Os textos a seguir expressos apontam várias abordagens úteis para a reflexão sobre o papel da intuição e afectos na tomada de decisão.

É apenas mais uma achega na compreensão desta demanda que é a Inovação.

A escolha das “boas” ou “menos boas” ideias implica uma tomada de decisão (avaliação). Estas seguirão o caminho traçado pelos decisores e chegarão ou não ao patamar mais desejado, a Inovação.

Não é pois de estranhar que de milhares de ideias apenas algumas ou sómente uma chegue ao seu destino. (veja-se o que se passa num processo de reprodução onde só um espermatozóide consegue fecundar o óvulo!)

 

Vejamos:

 

Pfister e Böhm :

Argumentam que as emoções não são um fenómeno homogéneo, mas que há quatro tipos de emoção que devem ser diferenciados de acordo com a função que serve a emoção no processo de decisão.

– A primeira função fornece informações sobre prazer e dor para a construção de emoções que não implicam avaliação cognitiva da situação de decisão.

– A segunda função é permitir escolhas rápidas sob pressão de tempo.

– A terceira função é chamar a atenção para aspectos relevantes de um problema de decisão.

– A  quarta função é gerar o compromisso relativo à moral e decisões socialmente importantes.

 

Por seu lado, Zeelenberg, Nelissen, Breugelmans e Pieters, apresentam o que chamam de abordagem – sentimento-é-para-fazer .- Esta abordagem enfoca os aspectos motivacionais de emoção.

Definir os objectivos prioritários é o principal mecanismo na abordagem de “sentimento-é-para-fazer”. Diferentes emoções associadas com diferentes objectivos. É importante notar que a abordagem “sentimento-é-para-fazer” assume uma perspectiva “futuro-progressista- orientada” que explica como as emoções podem ser instrumentalizadas para a procura de objectivos, ao contrário de muitas outras abordagens que vêem as emoções como indicadores de alcance de metas.

 

Price e Norman, argumentam que a intuição pode ser nem inteiramente consciente nem totalmente inconsciente. Se sinais intuitivos são conscientes, eles podem ser monitorados e sua influência no comportamento pode ser controlado pelo indivíduo de uma forma flexível e contextualmente sensível.

Por último Hanselmann e Tanner olham para a intuição como a utilização de heurísticas (*). Investigam os chamados valores sagrados. Valores sagrados são os valores que são vistos como absolutos e não negociáveis e, consequentemente, estão impedidos de ser transaccionados com outros valores. Os autores argumentam que os valores sagrados pode funcionar como uma heurística e facilitar as decisões.

Pode-se assim dizer que existe um elo de ligação entre, a emoção e a intuição quando se tomam decisões e, os processos comunicacionais e sociais em julgamentos de risco.

A maioria das emoções são socialmente construídas, e uma das suas principais funções é regular e coordenar as interacções sociais –o que a maioria das pessoas dominam de forma intuitiva, para melhor ou para pior.

A ideia dos decisores ou tomadores de decisão isolada, racional tem sido substituída pela ideia de tomadores de decisão como seres sociais que comunicam com os outros e experimentam variadíssimas emoções no planeamento e coordenação das suas acções.

 

 

Nota: (*) “As heurísticas foram consideradas durante muito tempo modelos cognitivos por excelência, elas constituem-se como regras baseadas na experiência e no planeamento substituindo as anteriores baseadas na procura algorítmica que chega às soluções correctas depois de ter combinado o problema com todas as soluções possíveis.

Os métodos heurísticos procuram um grau tão grande quanto possível de uma acção a uma situação. Assim ela engloba estratégias, procedimentos, métodos de aproximação tentativa/erro, sempre na procura da melhor forma de chegar a um determinado fim. Os processos heurísticos exigem muitas vezes menos tempo que os processos algorítmicos, aproximam-se mais da forma como o ser humano raciocina e chega às resoluções dos problemas, e garantem soluções eficientes. (Estudo sobre inteligência artificial- http://www.citi.pt)

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