Eu sonhei que vivia…

Sonhei que vivia num País extremamente desenvolvido , com Responsabilidade Social interiorizada por todos e onde as novas tecnologias não só eram facilitadoras como havia oportunidade de as adquirir e usufruir.

Nesse País ninguém tinha receio de  sofrer da Tragédia dos Comuns (ver Hutch Carpenter) e ser abalroado por centenas de Twitters ou posts “Faceanos” ou ainda sem receio de participar em foruns de discussão onde só existem convites para workshops ou seminários ou anúncios de Livros que vão descodificar todas as verdades.

Ainda estava a sonhar quando me apercebi que me tinha sido dada a possibilidade de construir o meu plano curricular e prosseguir a minha carreira de estudante ao longo da vida.

Recordo-me que as primeiras matérias que eu queria abordar eram:

  1. Filosofia – Adorava poder voltar a uma discussão, daquelas a sério, onde não se chega a lado nenhum mas se fica a conhecer o interlocutor e se sai com a auto-estima bem em cima. Conhecer a história do pensamento e criar habilidades para questionar!
  2. Matemática– Gostava de reiniciar uma apredizagem e conseguir explicar o que são algoritmos e para que servem. Toda a gente os usa mas ninguém lhes liga. Treinar a agilidade mental é fundamental.
  3. Mandarim – Impressionante aquilo a que eu teria acesso. Biliões de Tweets e amigos parecidos com alguém que eu conheço. Milhões de experiências e contactos para eu poder vender os meus legumes. Colher experiências de um País com uma riqueza cultural extraordinária.
  4. Português – Relembrar Gil Vicente e o Auto das Barcas e pedir a Manoel de Oliveira que realizasse um fime sobre elas. Estudar o português dos SMS e dos tweets para traduzir  o Ensaio sobre a Cegueira de Saramago. Verificar que a literatura portuguesa encerra um património impressionante e que não foi digitalizado.
  5. Jogos – Era a matéria que eu mais queria! Todas as outras abordagens da ciência e afins passavam por “jogos de vida”. Só de vida! Xadrez para a cena politica. Gamão para a Economia . Damas para o Desenho. Póquer para a àrea financeira. Rumminkub para Biologia, etc. Era lindo!! Os jogos poderão ter um papel importante na dimensão da aprendizagem.

 

Quando acordei entrei num pesadelo! A realidade é outra. Passamos (eu, ele e outros) tantos anos a aprender coisas, e quando já sabiamos fazer… “Pimba”!. Agora vais aprender, ao longo da vida, novas coisas!

E tudo o que era não formal ou informal ficou sem registo, sem qualificação. Consta do meu curriculum que eu fiz …e que portanto como tenho um documento a comprovar eu sou…!

Mas o que não consta é que eu fiz mas que agora não faço. Consta que eu realizei com sucesso e muito, mesmo muito, uma panóplia de disciplinas, cadeiras ou  acções. Mas não diz que com elas eu sou competente.

 

 

Competência? Competente mas não Qualificado!!Qualificação?

Talvez o meu curriculum de sonho me ajude um dia a não ter dúvidas! Há qualquer coisa neste País que não bate certo!

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