Posts Tagged ‘Sistemas não lineares’

A trajectória da inovação

12 de Fevereiro de 2010

A inovação tem uma trajectória não linear!

Inovação costumava ser uma trajectória linear de novos conhecimentos para novos produtos. Agora, a inovação não é linear, mas sistémica. A inovação surge interacções complexas entre vários indivíduos, as organizações e o seu ambiente.

São ecossistemas onde o pensar design se pode evidenciar, mas, para surgir a evidência, estes, tem de ser centrados nas pessoas.

Muito se tem escrito sobre o ponto de encontro ou desencontro entre o pensar sistémico e o pensar design.

O pensamento sistémico é a nossa capacidade de ver as coisas como um todo (ou holística), incluindo muitos tipos diferentes de relações entre os vários elementos que compõem um sistema, mais ou menos complexo. Em pensar design, essa capacidade está presente, como refere Roger Martin, ao abordar o funil do conhecimento.

O ponto de encontro referido, deve ser o ponto de partida, para a construção do conhecimento e aprendizagem sobre o conceito de inovação. O cerne dessa construção encontra-se na partilha de novas tecnologias e tendências de pensamento.  

Isso obriga a nova visão do ambiente de trabalho. É necessário alavancar esforços para a construção de equipas interdisciplinares e com funções múltiplas, sejam elas de carácter formal ou informal. Hoje a aprendizagem, passa muito pelas redes sociais, que têm características fundamentalmente informais.

Sempre centrada nas pessoas, deve ser feita a integração das “leis que regulam” o sistema:

Cada sistema tem uma finalidade dentro de um sistema maior.

Todas as partes de um sistema devem estar presentes para que o sistema cumpra seu objectivo de forma optimizada.

As partes de um sistema, devem ser organizados de uma forma específica, para que o sistema possa realizar o seu propósito.

Feita essa integração é necessário compreender as relações e as inter-relações das coisas.

É nesta perspectiva, de sistema, que o design deve ser criado e discutido e não apenas como elemento não integrado num todo.

O pensamento design para ser desenvolvido, e não apenas ao nível das escolas, isto é, também ao nível das empresas e outro tipo de organizações, deve trabalhar o conhecimento, e fundamentalmente o conhecimento para agir.

O conhecimento para a acção, está fundamentado na concepção de uma compreensão sistémica do pensamento design.

Como realizar o projecto para este tipo de sistemas, participativos e centrados nas pessoas, ainda vai consumir muita energia. Mas há bons exemplos para seguir.  

“Ao desenvolver o seu sistema de atendimento constante, Aravind exibiu muitas características do pensamento de design. Foram usadas como um trampolim criativo duas restrições: a pobreza e o distanciamento da sua clientela e sua própria falta de acesso a soluções caras. Por exemplo, um par de lentes intra-ocular refere-se às despesas West $ 200, que limita severamente o número de pacientes, que Aravind poderia ajudar. Ao invés de tentar convencer os fornecedores a mudar a maneira como fazem as coisas, Aravind construiu a sua própria solução: uma fábrica no porão de um dos hospitais. Ele acabou descobrindo que poderia usar a tecnologia relativamente barata para produzir lentes por 4 dólares o par.” – Tim Brown – HBR

Este é um bom exemplo de solução participativa, ou não? Diga lá!


Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.