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Emoção, Inovação e Diversão

23 de Novembro de 2009

Resolver problemas com emoção

À parte as questões da neurociência e de quem as controla, se hoje é o sistema límbico ou se amanhã é ele com a ajuda de outros sistemas, as emoções nos negócios são sempre vistas de dois ângulos: o do produtor/vendedor e o do consumidor/pagador.

 

Numa entrevista a “Ideaconnection” , Tom kelly, autor de “the Art of Innovation” fala um pouco sobre o papel das emoções no processo de inovação:

VB: Você diz: “A medida que você observa as pessoas nos seus ambientes naturais, não deve apenas olhar para as nuances do comportamento humano, mas também esforçar-se por inferir da motivação e emoção.” Quer falar sobre o papel da emoção no processo de inovação?

Tom Kelley: Uma parte de fazer o trabalho de inovação é compreender e pôr-se na pele dos clientes, a fim de resolver as suas questões. A vida não é sobre o que se costumava chamar de “apenas os factos”.

Se você se concentrar apenas nas especificações de um produto ou um serviço, você pode deixar de fora muita coisa. Na verdade, uma grande parte das descobertas de um antropólogo é a diferença entre o que as pessoas deveriam fazer, ou mesmo o que as pessoas dizem que fazem e o que eles realmente fazem. Mesmo se o que eles realmente fazem é irracional, você ainda tem que responder a isso.  

 Se você deixar de fora o conteúdo emocional, você pode ter as melhores especificações no mundo, mas as pessoas não podem comprar o seu produto ou serviço.

 Será que o iPod da Apple têm especificações melhores, ou melhor armazenamento de dados por dólar gasto do que outros leitores de MP3? Eu não penso assim, mas isso refere-se à emoção. Na IDEO tentamos lembrar o componente emocional em todos os nossos trabalhos.”

 

A natureza das emoções não só é posta em discussão na relação produtor/consumidor mas também entre a equipa ou equipas que gravitam em torno da ideia.

 Nestes grupos, chamados “grupos quentes” aparecem algumas figuras para que convém estar atento, sob pena de termos de admitir que o sucesso tarda e não vem, não porque eles causem constrangimentos mas porque eles são fundamentais:

 

São eles: “O visionário”, “O mata problemas”, “O Iconoclasta (ataca crenças estabelecidas) ”, “O tomador de pulso”, “O artesão”, “O tecnologista”, “O empreendedor” ou “O transformista”.

Ambientes e Processo na Inovação

17 de Novembro de 2009

Facilitar a geração de ideias.

As ideias, principalmente as óptimas ideias necessitam, para a sua sobrevivência e frutificação (Inovação), de duas (entre outras) condições particulares, ambiente e processo.

 

Ambientes de criatividade

O melhor ambiente para a geração e tratamento de ideias pode estar ligado a vários locais ou cenários que frequentamos.

 

  • Miguel Angelo usava blocos de mármore para  idealizar as suas esculturas.
  • Tilla Tharp usa espaços pintados de branco (Loft) para criar uma coreografia.
  • Leonardo da Vinci utilizava a água e as folhas das àrvores para, através da observação, criar máquinas.
  • A observação de cavalos  faz-nos expandir a liberdade de expressão.
  • Através da música, Vaughn and Myers mostraram muitos paralelismos entre vários processos musicais e os principais factores do pensamento criativo, tal como a fluência, flexibilidade e originalidade.
  • O céu estrelado é um dos ambientes referidos para a ocorrência de serependidade. “O céu é o limite!”.
  • A IDEO utiliza “salas de projecto especiais” que são reservados às equipas até que o trabalho termine.
  • Procter & Gamble construiu o GYM em Cincinnati.

Somos resultado da conjugação do património genético com a aprendizagem realizada. Daí que cada um de nós tenha gostos, preferências ou tendências específicas e portanto diferentes.

Teremos de procurar os factores que nos libertam dos constrangimentos da nossa formação se queremos ser inovadores. Um ambiente favorável ajuda a desenvolver a criatividade e dinamizar o processo de inovação.

 

Processo

Com o propósito de exemplificação adapto uma metodologia, poderia ser uma outra, que assenta em duas fases distintas embora de igual peso no processo de inovação.

A fase de expansão ou pensamento divergente cujo objectivo é gerar muitas ideias em torno de um problema claramente articulado e a fase de convergência no sentido de encontrar o material para investigação

Fase de Divergência

Passo 1: Identificar claramente o problema que está a ser tratado com o processo de inovação

Passo 2: Imersão: Explorar as informações relevantes para o problema. Podem ser tendências, o ambiente operacional actual, pesquisa de mercado, dados competitividade, informações, etc – informação específica que ajude a lançar luz sobre o assunto a ser explorado.

Passo 3: Identificar as áreas de oportunidade: A equipa identifica “áreas de oportunidade”, onde uma solução pode ser encontrada.

Passo 4: Geração de ideias: Para cada uma das áreas de oportunidade, o facilitador lidera a equipa através de técnicas de geração de ideias para ajudar a descobrir novas possibilidades. Durante este processo, as regras do brainstorming são aplicáveis (1). À medida que nos movemos através da geração de ideias, torna-se mais difícil encontrar novas ideias e, o facilitador deve estar preparado com exercícios que estimulam o pensamento do grupo. É nestas alturas que muitas vezes nascem as melhores ideias.

Fase de Convergência:

Passo um: Critérios de fixação – o grupo trabalha em conjunto para definir os critérios para a selecção de ideias de forma a avançar para a próxima etapa. Estes podem incluir “encaixa-se com a marca” e “é único na categoria.” Nesta fase, tenha cuidado para não restringir a peneira demais ou corre o risco de perder algumas ideias óptimas antes de ter “uma oportunidade a ser explorada”.

Passo dois: Selecção de uma Ideia – usando uma variedade de técnicas de convergência, o facilitador ajuda o grupo a reduzir o número de ideias para um número passível de gestão. Isto incluirá o voto, bem como a combinação de ideias e defesa de ideias favoritas. Defender ideias favoritas é importante para que o processo orientado de consenso não conduza para fora o que é realmente criativo, ideias originais.

 Passo três: Síntese / Debate – a equipa chega a acordo sobre as ideias que vão avançar no conceito de investigação conceito ou o que quer que seja o próximo passo a dar. O grupo fornece uma definição em torno de cada uma das ideias de peso.

Passo quatro: Preparação da Investigação – este é o processo onde os novos conceitos são finalizados e os parâmetros de pesquisa são identificados. Os parâmetros incluem os principais objectivos da pesquisa, o público a testar com os critérios de selecção bem como  do inquérito ou guia de discussão.

Estas duas fases são igualmente importantes para o processo de inovação. Podemos gerar muitas e muitas ideias, mas sem uma estrutura e processo de avaliação elas permanecem apenas ideias.

-Adaptado de  Cindy Diamond, – Diamond Principal Marketing Solutions & Ignite

(1)         Regras de compromisso na ideação (brainstorming)

  •  Deixe as ideias fluírem livremente – interesa a quantidade não qualidade
  •  Não há ideias para avaliar mais tarde
  •  Construa sobre as ideias dos outros
  •  Seja bem-humorado e criativo
  •  Não existem más ideias
  •  Não há debate
  •  Todos participam
  •  Pensar em novas maneiras; sair do velho padrão
  •  Mantenha a discussão em movimento; evitar contar histórias
  •  Combinação e melhoria de ideias são encorajadas
  •  Olhe para onde toda gente olha, e veja o que ninguém vê.

Partilhe as suas ideias!

Inovação e Competências

16 de Novembro de 2009

 

Não resisti e li!

 

““Manifesto” da UE Inovação direcciona o foco no financiamento e nas competências 

Publicado : terça-feira 10 de novembro de 2009 

Os embaixadores acreditam que uma ampla política de inovação, juntamente com o aumento do investimento em ciência, tecnologia e design, vai ajudar a tornar a Europa mais competitiva.

Posições:

Jean-Philippe Courtois, Presidente da Microsoft Internacional, disse que o futuro da Europa depende da imaginação do seu povo e pediu aos líderes políticos e empresariais para criar um ambiente que encoraja o pensamento criativo.

Ele disse que a tecnologia tem o potencial para transformar radicalmente a sociedade e criar novos empregos, mas o investimento nas competências é essencial.

“A aquisição de competências em TI, por exemplo, é tão fundamental como a leitura e a escrita”, disse Courtois, que falou em nome dos 27 embaixadores. Ele disse esperar que o manifesto sirva como um guia para a nova Comissão Europeia, quando está a elaborar o seu programa para os próximos cinco anos.

Prof Edward de Bono, outro dos embaixadores disse que as pessoas criativas podem ajudar a proporcionar “novas ideias” para ajudar a encontrar soluções inovadoras para os problemas da sociedade. De Bono, o pai do pensamento lateral, disse que os economistas são capazes de descrever os problemas, mas mostram-se menos eficazes quando se trata de resolvê-los.”

 

Em: EurActiv Newsletter: Innovation & Creativity [newsletters@news.euractiv.com]

Comunicando

As minhas ideias podem ser as nossas!

Não sei quantas pessoas em Portugal, apesar da oportunidade, leram esta notícia, mas fiquei Inovativamente satisfeito com o que li.

Porque:

Fica claro que é essencial o investimento em novas competências e não só em tecnologia (ferramentas).

A preocupação ambiental deixou de ser exclusivamente verde para ser também cinzenta e branca na referência ao pensamento criativo.

“O novo pensamento” pode ser fornecido (com ajuda).

As equipas interdisciplinares (economistas, engenheiros, psicólogos, designers, etc) têm futuro garantido. Todos podem gerar, conceptualizar e implementar ideias.

E fiquei mais atento ao meu último “post” em que referi o investimento português em I&D porque é bom saber para onde pode ir esse investimento!

“Embaixatriz de Inovação: U.E. colhem os benefícios dos investimentos da Europa em I & D 

Blanka Říhová é uma embaixatriz do Ano Europeu 2009 da Criatividade e Inovação”

Visual Tinking e Design Thinking

12 de Novembro de 2009

A quem sobrou tempo, depois do último post,deixo algumas indicações sobre livros:

The Back of the Napkin – (Dan Roam) – Conceitos e processos que ajudam a aplicar a visualização em resolução de problemas.

PresentationZen – (Garr Reynolds) – A resposta a uma pergunta frequente: Como fazer um PowerPoint interessante e atractivo?

Marks and Meaning – (Dave Gray) – É o fundador de XPLANE (visite o site).

Beyound Bullet Points – (Cliff Atkinson) – Como utilizar uma  storyboard em apresentações (resultados, objectivos, identificação de problemas).

HondiusPerspective

Há também uma questão de perspectiva!

Procure ainda a convergência e a divergênciam entre:

Design of Business – Roger Martin – Why Design Thinking is the Next Competitive Advantage -Roger Martin.

Change by Design: How Design Thinking Creates New Alternatives for Business and Society: How Design Thinking Can Transform Organizations and Inspire Innovation – Tim Brown

Design Thinking: Integrating Innovation, Customer Experience, and Brand Value -  Thomas Lockwood

Boas leituras!

Visual Thinking

9 de Novembro de 2009
storm9

Ideias com asas!

Muitas vezes ocorrem-nos ideias mas  sentimos dificuldade em expressá-las.

Se procurarmos expressá-las visualmente, mesmo “sem jeito para o desenho”, fácilmente verificamos que o resultado é muito positivo. Poupamos em discursos de analogias e comparações, falamos uma linguagem “universal”.

Acrescem vantagens como o facto de, com base em ideias iniciais surgirem novos pontos de interesse, rápidamente partilhados por quem observa.

Um simples guardanapo ( a mais!!) à hora de almoço pode transportar ideias soltas para a tarde ou para o dia seguinte.

É um óptimo instrumento para alavancar eficácia em tomada de decisão.

Retira carga de ansiedade na apresentação dos nossos pontos de vista e até pode transformar-se em momentos de boa disposição.

 Vejamos a  visualização como facilitadora da apresentação de ideias e da abordagem de soluções:

Podemos sempre recorrer a um software para cumprir a mesma função, embora a minha preferência vá para o quadro branco, os post-it ou os guardanapos.

Em formação, em resolução de problemas, em ideação ou planeamento visualize o pensamento.

Recomendo ” The back of the Napkin” – Dan Roam

São apontamentos para rabiscar e comentar.

Métodos para pensar!

6 de Novembro de 2009

Como é que o cérebro cria significado?

Existem vários métodos de pensamento que não se excluindo mútuamente se podem tornar ferramentas preciosas para encontrarmos o caminho da Inovação.

Alguns dos que eu mais gosto:

Creative Problem Solving -Resolução Criativa de Problemas.

Desde a chegada da clásica estrutura Osborn-Parnes deu origem a muitos outros métodos renomeados e com alterações nos passos.

Six Thinking Hats – Os Seis Chapéus de Pensamento

O método identifica seis modelos de pensamento que significam, em paralelo o problema que temos em mãos. Esta abordagem de pensamento paralelo desencoraja proactivamente a abordagem argumentativa utilizada por membros de um grupo que advoga soluções de oposição.

Quando este método é utilizado em grupos não muito numerosos o resultado obtido é surpreendente.

Mind Mapping – Mapa de Pensamento.

É essencialmente uma forma não linear de um esboço. A ideia é fazer um diagrama orgânico e associado de palavras, conceitos, ideias, tarefas, decisões ou outro tipo de informação ligando os itens individuais aos requisitos das suas associações.

Hoje encontra-se software diverso para este método sendo que a minha preferência recai sobre o “Personal Brain”.

Brainstormig – Tempestade de ideias.

O mais popular gerador de ideias em grupos é útil em qualquer patamar de resolução de problemas. Prima pela ausência de critica e requer um facilitador atento.

Simplex – Simplex.

De Min Basadur, traz consigo uma resolução criativa de problemas aliada a ferramentas de pensamento, desde a definição do problema ao planeamento da solução.

Haverá nuitos outros como Daydreaming, Whole Brain Literacy, Morphological Analysis, Synetics, Triz, Force-Field Analysis, Dialectical Approaches, Cherry Split, K-J Method, Funnel Thinking, Scamper, Lateral Thinking, Productve Thinking e aqueles de que eu nunca ouvi falar.

Deste que se segue e ao qual  voltarei para uma abordagem mais profunda digo apenas que os resultados são excelentes.

Cavalos e Liderança

28 de Outubro de 2009

Em Portugal, País de Fátima, fados e bola, fala-se pouco de cavalos.

Neste País à beira mar plantado, fala-se ainda menos de cavalos e de liderança.

No mesmo País quase nada se fala de Liderança e Inovação.

E não se fala mesmo nada de Cavalos, Liderança e Inovação.

Lembrei-me que Inovação também pode ser aberta e colaborativa. Pode ser um desafio para as empresas de consultoria! 

Estabelecer parcerias com proprietários de cavalos (há cavalos impressionantes em Portugal) para a promoção de  acções/outdoor  sobre Liderança e Inovação para os CEO´s das empresas portuguesas.

Os cavalos ajudam-nos a entender o exercício da Liderança!

Não é preciso pensar nos nossos neurónios “espelho”.

 Basta observar a natureza para usufruir de um bom exercício de criatividade.

WEB 3.0!!

20 de Outubro de 2009

…- “Não chegues tarde que eu fico preocupada!”, dizia minha mãe quando eu saía à noite!

Faz tempo! Faz tempo que “Ela” não me diz nada a esse respeito, porque à noite…!

- ..Não chegues tarde que ela está por aí!

-Ela , quem?

A Web 3.0!!

Ainda estamos com a preocupação de entender (conhecer) a Web 2.0, quais as suas reais capacidades, quais as oportunidades e quais as verdadeiras ameaças e já sonhamos com a semântica.

Agora que falamos em dirigir o nosso pensamento para a aprendizagem, o treino, os negócios sejam eles para hoje ou para daqui a dez, vinte anos, já temos ferramentas que ajudam a orientar as nossas intenções.

Serão elas que nos guiam ou seremos nós que num acto de criação as produzimos de forma a acrescentar valor aos nossos projectos de trabalho e educação?

È um pouco longo este conjunto de slides,que a seguir apresento, mas gostava de o partilhar, como mandam, aliás as regras da boa educação na Web 2.0.

 

 

 

A velocidae a que a informação é por nós recebida obriga-nos a uma gestão eficaz. Só assim será conhecimento!

E se quero atingir a sabedoria terei de aplicar esse conhecimento nas experiências a que for sujeito no meu dia-a-dia!

Seja feliz! Seja sábio!

A Inovação Financeira é um pesadelo?

13 de Outubro de 2009

Rowan Gibson escreveu ontem em – Blogging Innovation- um artigo intitulado “When Innovation Goes Wrong” sobre um tema que convém voltar a falar.

A Inovação financeira é perigosa?

Quem são esses inovadores de “derivados” e outros?

Vale a pena ler o artigo de Gibson!! Deixo aqui o meu comentário ao artigo.

Jose Baldaia said…

Innovation never goes wrong!

Innovation must be looked for sides, users and innovators.
What are wrong are in fact the assumptions of promoters and clients!

If we believe that it there is no risk when we launch a new product or an innovative model for business we are saying that this “innovation” is already tested by other companies.

A few years ago here in Portugal the Insurance Company where I work, in the late 1980s, launched a financial product called PPR (….). My job at the time was trainee the commercial stuff in “How to deal with objections and how to identify
needs of the clients. The result of the work around that product and during several years, risk management and ethical sales, made the product life longer till our days.
By the other side some Insurance Companies (national and international) with similar products (derivates) don’t achieve their goals. They missed risk and they had non ethical performance.
It’s true “Learn now, earn tomorrow”.
The notion of risk is necessary for both sides: Companies and Customers.
I ask my self, when I see the adoption of some innovations if the promoters know the concept of contextualization. Some things are true in Europe but false for Africa.
As you say is fundamental the validation of critical presumptions of the project and they need to evaluate the impact of negative results in the company image
and at their business partners.

I believe that in Financial Innovation we don’t apply the principle “The whole is bigger than the sum of the parts”. If someone do it, “That’s magic”!

Depois recordei-me de umas leituras feitas há 20 anos atrás!

Como nadar no meio dos tubarões!

Como nadar no meio dos tubarões!

Harvey Mackay publicou em 1989 um livro:-”Como nadar no meio dos tubarões sem ser comido vivo”. Hoje  reli (alguns capítulos!).

É um pouco ciclico este modo de vida variando apenas na intensidade das vivências.

Eu sonhei que vivia…

10 de Outubro de 2009

Sonhei que vivia num País extremamente desenvolvido , com Responsabilidade Social interiorizada por todos e onde as novas tecnologias não só eram facilitadoras como havia oportunidade de as adquirir e usufruir.

Nesse País ninguém tinha receio de  sofrer da Tragédia dos Comuns (ver Hutch Carpenter) e ser abalroado por centenas de Twitters ou posts “Faceanos” ou ainda sem receio de participar em foruns de discussão onde só existem convites para workshops ou seminários ou anúncios de Livros que vão descodificar todas as verdades.

Ainda estava a sonhar quando me apercebi que me tinha sido dada a possibilidade de construir o meu plano curricular e prosseguir a minha carreira de estudante ao longo da vida.

Recordo-me que as primeiras matérias que eu queria abordar eram:

  1. Filosofia – Adorava poder voltar a uma discussão, daquelas a sério, onde não se chega a lado nenhum mas se fica a conhecer o interlocutor e se sai com a auto-estima bem em cima. Conhecer a história do pensamento e criar habilidades para questionar!
  2. Matemática- Gostava de reiniciar uma apredizagem e conseguir explicar o que são algoritmos e para que servem. Toda a gente os usa mas ninguém lhes liga. Treinar a agilidade mental é fundamental.
  3. Mandarim - Impressionante aquilo a que eu teria acesso. Biliões de Tweets e amigos parecidos com alguém que eu conheço. Milhões de experiências e contactos para eu poder vender os meus legumes. Colher experiências de um País com uma riqueza cultural extraordinária.
  4. Português – Relembrar Gil Vicente e o Auto das Barcas e pedir a Manoel de Oliveira que realizasse um fime sobre elas. Estudar o português dos SMS e dos tweets para traduzir  o Ensaio sobre a Cegueira de Saramago. Verificar que a literatura portuguesa encerra um património impressionante e que não foi digitalizado.
  5. Jogos – Era a matéria que eu mais queria! Todas as outras abordagens da ciência e afins passavam por “jogos de vida”. Só de vida! Xadrez para a cena politica. Gamão para a Economia . Damas para o Desenho. Póquer para a àrea financeira. Rumminkub para Biologia, etc. Era lindo!! Os jogos poderão ter um papel importante na dimensão da aprendizagem.

 

Quando acordei entrei num pesadelo! A realidade é outra. Passamos (eu, ele e outros) tantos anos a aprender coisas, e quando já sabiamos fazer… “Pimba”!. Agora vais aprender, ao longo da vida, novas coisas!

E tudo o que era não formal ou informal ficou sem registo, sem qualificação. Consta do meu curriculum que eu fiz …e que portanto como tenho um documento a comprovar eu sou…!

Mas o que não consta é que eu fiz mas que agora não faço. Consta que eu realizei com sucesso e muito, mesmo muito, uma panóplia de disciplinas, cadeiras ou  acções. Mas não diz que com elas eu sou competente.

 

 

Competência? Competente mas não Qualificado!!Qualificação?

Talvez o meu curriculum de sonho me ajude um dia a não ter dúvidas! Há qualquer coisa neste País que não bate certo!


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